terça-feira, 4 de maio de 2010

Escrever, mas escrever mesmo

  • "Publicamos para não passar a vida a corrigir rascunhos. Quer dizer, a gente publica um livro para livrar-se dele." - O pensamento vivo de Jorge Luis Borges

Ando pensando sobre a dificuldade de escrever. Fazer pequenos textos até que é fácil (como este, por exemplo). Assim curto não dá muito trabalho. Não leva mais do que uns 15 minutos pra ficar pronto e acabado. Agora escrever algo mais longo, estilo romance mesmo, é bem tenso.

Na verdade já tentei escrever coisas mais longas. Projetos fabulosos que se transformaram em fracassos lastimáveis. Eu simplesmente não consegui continuar. Comecei com fôlego e perdi aos poucos o interesse. Tive vários "falsos começos", o que gerou um pouco de frustração de minha parte. Sinto que desperdicei boas ideias, no fim das contas.

Acho que isso tem um pouco a ver com a internet, ou melhor, com essa tal de Era da Informação em que vivemos. Nela as coisas são diretas, rápidas, sem rodeios. Queremos o conteúdo completo, de uma vez - meio Matrix sabe? Não há espaço pra reflexão, pra se fazer coisas trabalhosas, coisas duradouras. Pra que encarar um Tolstoi se podemos saber tudo dele resumido e diagramado na net. Talvez seja por isso que não consigo escrever da forma que quero, trabalhando em textos longos e de vida própria.

Acho que o jeito é eu me infurnar numa cabana no meio da floresta até que saia um romance completo - capa a capa. Vou encarnar um isolamento meio contemplativo como Thoreau, meio existencial como Heidegger, que sabe dê certo...


Obs.: agradeço de coração todos que vem comentando aqui, eles me estimulam a continuar escrevendo.

Um comentário:

Dió disse...
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