segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Orgulho

Lázaro não esperava por isso. Acreditava que seus "poderes" eram inofensivos. Mas viu a armadilha em que caiu. Sentiu-se desorientado, pois não sabia o que fazer. Não sabia se parava com tudo, se largava esse mundo de sonhos ou se o desvendava de vez por todas. Como um crédulo, resolveu então ir ao único lugar em que poderia ter uma resposta: o Jardim do Velho.

Encontrou-o sentado num banco rústico e largo de madeira. O velho oráculo estava lendo calmamente um jornal enquanto fumava seu cachimbo. Como uma criança que se machucou num brinquedo, o jovem Lázarao se lamuriou ao Velho, contando tudo o que acontecera. Este respondeu arregalando os olhos cheios de rugas:
- Meu filho, você foi orgulhoso. A húbris tomou conta de você. A realidade não pode ser tão transformada sem que se exija algo em troca. O orgulho e o poder ilimitado cobram preços altos demais para um simples ser humano. E saiba, você é um simples ser humano, apesar de tudo.
- E eu estou condenado a viver sozinho sem poder contar as pessoas sobre toda essa tragédia que vêm dos meus sonhos?
- Mas é claro que não. Há muitos como você. Basta procurar.
- Onde? - perguntou Lázaro.
O velho então abriu o jornal que estava lendo e rasgou lentamente uma página, entregando-a ao jovem. Este começou a ler nela uma nota. Era uma história estranha de um desaparecimento de uma criança chamada Valentina. O principal suspeito era seu próprio pai.
- Devo ir atrás dela? - perguntou Lázaro.
- Veja o que o pai dela diz em seus sonhos. Quem sabe você poderá fazer um bem ao pai e à filha.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O enigma do sino
















Ele continuava preso na armadilha de sonho. Cada vez que acordava as imagens, as sensações eram mais dissonantes e perturbadoras. Os rostos de seus amigos se difundiam, se confundiam e se misturavam. Sua falecida namorada saía do umbigo dele para ser posteriormente tragada involuntariamente por narinas. Era tudo estranho e perturbador. Nada fazia sentido.

Foi preciso um lapso de criatividade para que o enigma do paradoxo se resolvesse. Já entediado com tudo aquilo, o jovem começou a tentar moldar as imagens que via, juntando-as e separando-as com o movimento de seus braços. Começou a fazer objetos simples, como martelos, cadeiras, paredes, buracos e portas. Depois coisas mais elaboradas como, bicicletas, pássaros, árvores, relógios. Mas era tudo silencioso e efêmero. Surgiu então a ideia de fazer um sino. Juntou alguns pensamentos de metais que conhecia e forjou um enorme sino de ouro. Mas o objeto era tão grande e pesado que mal conseguia fazê-lo se mexer. Foi então que imaginou esse mesmo sino dependurado, alguns metros acima dele. Por fim imaginou uma corda atada ao pêndulo do pesado sino de ouro e, como uma criança, dependurou-se no sino, que produziu estrondosas baladas. Uma após a outra elas faziam tremer tudo que estava em volta. O nada tremeluzia e os pensamentos anteriores de Lázaro caiam ao chão, se estilhaçando em mil pedaços. No entanto, ele continuava dependurado. O sino batia cada vez mais forte, o som era cada vez mais terrível. O jovem sentia a corda vibrar cada vez mais intensamente. Foi então que a corda sumiu, o sino sumiu e Lázaro, também, sumiu.

Acordou com fortes badaladas de um sino distante, estava num sujo banco de praça numa manhã ensolarada. Ao fundo os sinos duma igreja tocavam alegremente. Muitas pessoas transitavam pela praça. Lázaro percebeu que, finalmente, havia se libertado do paradoxo. Havia resolvido o enigma.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Enfrentando o Paradoxo


As coisas do dia a dia aos poucos perdiam o sentido para o nosso heroi. Com treino e meditação, ele pode explorar mais e mais o mundo dos sonhos. Muito embora sua mente fosse bem clara e muito vazia de objetos e reminiscências, Lázaro percebeu que a mente dos outros eram pequenos, mas infinitos universos.

Viajar por seus sonhos era fácil e monótono. Lázaro já os conhecia bem. Não obstante, cruzando o subconsciente humano ele descobriu as portas e as janelas que conectam todas as mentes das almas vivas. Isso permitiu a Lázaro vislumbrar toda a infinitude de ideias e conceitos que habitam o subconsciente coletivo.

Com o tempo, ele se entediou com sua vida mundana. Passou a viajar cada vez mais pelo mundo dos sonhos. Deixou de dar importância para o tempo em que passava acordado as pessoas, todas lúcidas ao seu lado. Certo dia em um café, conversando com seu amigo Sérgio, passou a falar de suas viagens oníricas e de suas descobertas dos mais perturbadores pensamentos humanos. A princípio Sérgio encarou-o com bom humor, pois conhecia a personalidade de seu amigo. No entanto, os minutos foram passando e Sérgio começou a se sentir desconfortável com as frases sem sentido de Lázaro, que contava sem meias palavras como fazia para entrar nos sonhos das pessoas. Mas sabia ele que isso traria um efeito colateral.

Após um tempo de sua explanação perturbadora, como que num estalo, Lázaro sentiu uma mudança no ar. Olhou para a janela do café e viu nuvens cinzas se aglomerarem rapidamente. Raios reluziam conforme as nuvens mudavam de forma.

- Lázaro! Lázaro! - ouviu ele um chamado. Era Sérgio. Mas sua voz não saia de sua boca, que estava imóvel, mas vinha de longe, ecoando como se saísse do fundo de uma caverna.

- Lázaro! Lázaro! - novamente o chamado replicava. Lázaro sentiu uma vertigem, estava atordoado. A mesa, a xícara, a janela, tudo parecia derreter e borrar aos olhos dele. Sérgio já não era mais Sérgio. Ele era um ser sem forma, com olhos que mudavam de tamanho aleatoriamente. Sua boca e seu nariz dançavam pelo rosto que afinava e engrossava, acompanhando pulsações dissonantes. A janela se abriu, o vento entrou pelo café, e era ele tão forte que carregou papéis, xícaras, cadeiras, mesas, Sérgio, tudo.

- Lázaro! Lá...zaro! Lá...za...ro! - ele acordou.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Grandes poderes e nenhuma responsabilidade




Nos dias que se seguiram, Lázaro passou a encarar seus sonhos de outra forma. Era como se quando sonhasse estivesse plenamente consciente em seu universo onírico; e quando estava acordado parecia viver num estranho torpor. As pessoas, as coisas, as cores, tudo era mais vivo no sonho de Lázaro.

E foi nos sonhos alheios que Lázaro percebeu a "utilidade" de suas novas habilidades. Após muitos dias de concentração e de fracassos, ele conseguiu entrar nos sonhos de Dona Regina, sua patroa. Na mente dela, Lázaro percebeu o quanto era desprezado e ignorado no ambiente de trabalho. Para chamar a atenção de Dona Regina - que vivia nos seus meticulosos afazares subconscientes -, Lázaro precisou transformar-se num imenso gigante, cujas mãos esmagavam tudo o que distraia sua patroa. Pegou ela na ponta de seus imensos dedos, e disse palavras de ordem. Primeiramente exigiu um salário melhor, o que veio a se concretizar num aumento coletivo de salários na empresa. Depois, tentando ser mais valorizado, exigiu vantagens específicas para si, como subir na empresa e trabalhar menos. Como resultado, ganhou uma sala exclusiva no prédio, com direito a ar condicionado, vista panorâmica e uma máquina de café expresso de última geração.

Lázaro passou a ser o chefe do setor administrativo, cargo antes ocupado por Regina - que em vinte anos de empresa, nunca teve tais regalias. Ela, a propósito, passou a ser sua secretaria por algum tempo. Mas semanas depois, foi transferida para outro setor, e Lázaro pode escolher uma bela e jovem secretária para lhe passar o café e as ligações. Quanto às responsabilidades do cargo, deixava para Dona Regina, que após seu próprio expediente, subia para a sala de Lázaro e colocava tudo em dia.

No começo, Lázaro passava longos períodos olhando pela janela, enquanto pensava nas palavras daquele velho que vivia no jardim. Pensou em retornar para visitá-lo algum dia. Mas o tempo foi passando, e a imagem do velho foi ficando cada vez mais vaga e imprecisa. As frases profundas do sábio lentamente se perdiam no mundo mundano e estéril em que vivia o rapaz. No entanto, mal sabia ele que novas surpresas o esperavam.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O velho e o jardim

Era um antigo prédio da cidade. Antigo, mas alto o suficiente para se destacar entre as construções do centro velho. Suas janelas opacas e suas varandas quadradas lembravam do tempo em que lá se faziam importantes negócios. Embora aparentemente abandonado, era esse o endereço indicado por Sérgio.

Quando abriu a portinhola que dava acesso ao terraço do prédio, Lázaro se deparou com um imenso e esplendoroso jardim. Dezenas de variedades de plantas tropicais enchiam de cor e vida o topo do antigo edifício.

Ao fundo, o jovem pode ver um senhor de barbas brancas, chapéu e roupas rústicas cuidando do precioso jardim. Com uma certa lentidão, Lázaro venceu os galhos e arbusto, podendo se aproximar do velho após alguns instantes.

- Há muito esperava por você, meu jovem.

Lázaro não conseguia esboçar qualquer reação, aquele velho de rosto fustigado pelo sol era-lhe estranhamente familiar. Era como se conhecesse o velho em alguma outra ocasião. Toda aquela situação dava ao rapaz uma sensação de torpor.

- Lázaro, você foi despertado no acidente que sofreu. Embora tenha sofrido muito, agora pode enxergar a verdade. Você agora pode manipular o que se vê e o que se sente.

Continuou o velho:

- Isso é muito bom para você. Mas saiba que chegará um dia em que passado será futuro e que a justiça estará contra o amor. E nesse dia você lembrará da tristeza da existência.

Após dizer tais coisas, o velho voltou-se a uma pequena planta, concentrando-se no lento trabalho de retirar dela todas as ervas daninhas.

- Mas como assim? O que eu devo fazer?

Sem retirar os olhos da planta, o velho respondeu:

- Lembra dos seus sonhos..? Pois então, neles você pode viajar livremente, assim como pode chegar nos sonhos alheios. Quando se der conta, estará você no meio de todos os sonhos da coletividade. Esse é um dom que trará grandes mudanças em sua vida.

- Qual é o nome do senhor? - perguntou Lázaro.

- Por hora, basta o que eu lhe disse. Vá, e experimente suas novas habilidades.

Após dizer isso, o velho oráculo não lhe deu mais atenção. Com isso Lázaro pensou haver somente duas hipóteses: ou o velho compartilhava de sua loucura, ou tudo isso que o velho falou estava realmente acontecendo.

sábado, 10 de julho de 2010

Estamos com problemas técnicos, voltaremos a operar em instantes

Munido do endereço dado por Sérgio, Lázaro foi ao consultório do tal vidente. Era no centro da cidade, assim Lázaro teve que pegar o metrô. Havia muito movimento na estação, ele avançava lentamente em meio a multidão que se aglomerava na fila de embarque.

De repente saiu dos auto falantes a seguinte mensagem: “Estamos com problemas técnicos, voltaremos a operar em instantes”. A multidão suspirou e resmungou coletivamente. Para Lázaro, não era nada muito problemático. Era seu dia de folga, e tinha ele todo o tempo do mundo para chegar ao consultório.

Mal sabiam todos que na verdade os tais problemas técnicos eram uma pessoa que, na estação anterior, tinha se jogado nos trilhos instantes antes do vagão chegar em alta velocidade para o embarque e o desembarque. Era uma jovem moça que se atirou voluntariamente para a morte. Devido a rapidez com que tudo aconteceu, poucos na estação anterior puderam notar o ocorrido. Mas as câmeras flagraram tudo. Sangue e carne foram compridos pela partição. A imagem em câmera lenta ficou gravada para sempre nos arquivos da companhia administradora do metrô. Ficou gravada também na mente dos operadores das câmeras de segurança. Aquilo não era algo tão raro de acontecer, e a morte cinegrafada causaria danos irreparáveis aos subconscientes dos funcionários.
Poucos minutos depois o metrô voltou a funcionar, e tudo retornou a aparente normalidade cotidiana. Lázaro arranjou um pequeno espaço no fundo do vagão e, assim que possível, sentou-se ao lado da janela. Distraiu-se com a televisão digital alguns metros a frente. Entre uma propaganda e outra, começou a ter uma sensação estranha. Parecia haver uma imagem sobreposta que se repetia continuamente na tela. Era a imagem da jovem se atirando para a morte. Desconfortável, ele pôs-se a mirar nas outras telas, mais distantes. Todas repetiam, cada vez mais nitidamente, a cena fatal. Um sentimento de aflição e de dor passou a ocupar sua mente. Ficou ainda mais intenso quando Lázaro percebeu que era só ele, em todo o vagou, que conseguia ver aquela cena.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A Rotina


Algum tempo passou. As coisas foram se assentando e Lázaro se sentia mais conformado com a sequência trágica dos fatos da vida. Mas ainda andava ele muito ocioso, pois então que seu pai disse:
- Arrume um emprego, ou pelo menos algo para fazer. A vida tem que valer pra alguma coisa, afinal de contas.
Como um bloco imóvel sobre um plano ideal, Lázaro precisou apenas de um empurrão de seu pai para sair da velocidade zero e começar a movimentar-se uniformemente. Com descaso procurou emprego, e foi graças a uns antigos contatos que conseguiu trabalho como arquivista.
Foi trabalhar numa empresa no zona central. Ela ocupava um pequeno prédio, sendo que um andar inteiro servia para guardar as milhares de pastas de arquivo. O salário era pequeno, mas servia para mantê-lo ocupado por quarenta horas semanais. Dona Regina era a encarregada, ela comandava meia dúzia de funcionários. Precisava de pelo menos dois funcionários para dar conta do serviço que, na verdade, seria realizado apenas por Lázaro.
- Lázaro, funciona assim: as pastas chegam todas por esta caixa. As numeradas de 1 à 9999 devem ser arquivadas no setor azul, as de 10000 à 20000 devem ir para o verde, já as brancas, de 20001 pra frente, não devem ser guardadas. Elas devem ser lançadas no computador. Isso porque elas foram feitas quando mudou o sistema. Isso é bom, porque aí você não precisa rubricar as fichas brancas, que já estão amareladas. Ah sim, as verdes e azuis devem ser rubricadas aqui e aqui. As fichas ficam na caixa preta, exceto às de 2000 à 2004. Essas devem ser separadas e catalogadas nesta pasta rosa. É muito importante que as fichas rosas não se misturem com as pastas vermelhas. As vermelhas são catalogadas em ordem numérica, já às rosas são em ordem alfabética ao contrário. Só que as letras “k” “w” “y” ficam no começo, porque antes não estavam no alfabeto quando fizeram a reforma de 2007 no arquivo. Parece um pouco complexo, mas com o tempo você se acostuma. Eu estou aqui há quinze anos e consigo lidar com todos os arquivos, menos os das fichas azuis, que quem cuida é o Sérgio. Deu pra ter uma noção de como funciona?
Lázaro fez que sim com a cabeça, apesar de não entender nada. Ele estava mais preocupado em saber como iria aguentar o forte perfume que a Dona Regina estava usando. Ela era uma senhora de meia idade que carregava na maquiagem, cobria seu corpo redondo com uma roupa justa de um vermelho forte. Com a parede branca atrás de Dona Regina, Lázaro imaginou estar em frente a uma enorme bandeira do Japão.
Após alguns dias de trabalho, Lázaro percebeu o quanto era tranquilo o seu trabalho. Embora o sistema de arquivo de pastas não fizesse o menor sentido, precisa apenas deixar duas dúzias de pastas brancas separadas, pois somente elas eram solicitadas. Qualquer pasta, colorida ou branca, ficava a cargo de Sérgio, um rapaz miúdo e de óculos, que costumava sumir por horas entre as prateleiras de pastas do arquivo.
Lázaro só estava curioso em saber sobre a empresa em que passou a trabalhar. Chegou a perguntar duas ou três vezes à Dona Regina. Esta desconversava, falava que estava muito ocupada e que depois explicaria com todos os detalhes o que fazia a companhia. Alguns dias depois de começar no emprego, quando recebeu a carteira de trabalho de volta, ele viu somente o nome “K.W.Y. & Cia. Ltda.” carimbado no documento, sem maiores detalhes. Não poderia ser mais frustrante.

* * *

Com o trabalho, Lázaro conseguira ocupar sua mente durante o horário comercial. No intervalo do almoço ficava tão esfomeado que não conseguia formular pensamentos mais complexos. No começo chegava em casa cansado, comia alguma coisa e ia dormir, não sonhava. Mas com o tempo a rotina foi se formando. O trabalho já estava mecânico, o almoço sem gosto, e as noites voltaram a demorar a passar. Ficava horas no computador, até cansar. Quando ia dormir, muitas vezes já no meio da madrugada, tinha dificuldade em pegar no sono.
Várias vezes ele teve sonho longos e confusos. Neles por vezes se encontrava com sua namorada em paisagens idílicas, outras tantas vezes voava velozmente viajando através de campos, mares e florestas. Era como se sonhasse ser uma espécie de super-heroi. Também conversava com muitos conhecidos e desconhecidos em seus sonhos. Sentava junto deles embaixo de ciprestes e salgueiros. Teciam comentários sobre as coisas corriqueiras da vida. Mas com sua namorada mantinha conversas longas e profundas. Falavam sobre tudo, sempre com uma forte carga filosófica.
Com o tempo, Lázaro percebeu que ela frequentemente comentava sobre as coisas que aconteceram após seu próprio falecimento, na época do acidente de Lázaro. E com o passar do tempo ela pareceu cada vez mais angustiada e mais distante, até que um dia Lázaro não mais a encontrou em seus sonhos.
Passou a procurá-la velozmente, voando pelas paisagens oníricas. Nenhum de seus amigos de sonho sabia do paradeiro da moça, nem mesmo o Velho Owney, apresentado no primeiro episódio de rapsódia de Lázaro.
Certa vez, Sérgio, o arquivista, percebeu o olhar angustiado de Sérgio e perguntou:
- O que foi Lázaro?
- Nada, nada não.
- Que isso, cara. Pode falar pra mim.
- É que... eu acho que preciso ir num psicólogo. To tendo uns sonhos estranhos.
- Psicólogo? Que psicólogo, cara?! Isso aí não dá certo não. Mas eu conheço um cara que pode te ajudar. Ele manja tudo de sonho, de sonhos estranhos principalmente. E não é nada de terreiro ou de igreja. Ele manja mesmo, vou te levar lá.
Relutante, Lázaro foi ter com conhecido de Sérgio.